A impotência humana diante da pandemia real

A impotência humana diante da pandemia real- Marta

Vive-se um momento como poucos na história da civilização humana.

Abatido numa pandemia de proporções pouco vista, o senhor da vida terrestre buscou refúgio entre as quatro paredes do lar.

Impotente até agora para deter o agente microscópico causador de tanta aflição, assiste a morte arrebatar centenas de vidas a cada dia, deixando um grande vazio na sociedade robotizada e tecnológica de nossos dias.

Foi e está se dando conta de que dinheiro não é tudo, conquistar as estrelas não resolve os problemas do cotidiano e que sem solidariedade a vida tem menos sentido.

Fanático em alguns momentos de sua relação com o sagrado, fez dos templos religiosos uma trincheira onde passou a cultivar seus medos e fracassos em forma de adoração e reverência a alguma divindade na qual acredita, e visitado por um vírus sem fé nem religião teve que cerrar as portas de suas redomas teológicas, se escondendo dentro das quatro paredes do lar.

Tenta, em desespero, implementar medidas para salvar a economia e os empregos, distribui bônus e ajuda humanitária para milhões de famintos e ociosos ante a escassez de trabalho, mas dá-se conta que as estatísticas não param de crescer, abrindo covas rasas nos cemitérios, engolindo moços e velhos, homens e mulheres.

Sem respostas precisas e pontuais, ensaia medidas num dia e as revoga no dia seguinte.

Cogita aberturas que se mostram inadequadas, toma decisões e logo após recua, e nas trilhas da incerteza não sabe dizer com precisão quando tudo isso vai terminar.

Com tanta tecnologia disponível, viu-se fragilizado e impotente de um momento para o outro, tentando achar um ponto onde se apoiar nesta sociedade líquida onde está mergulhado.

Redescobriu a solidariedade.

Foi constrangido a aceitar a colaboração de adversários.

Percebeu que a pandemia e a morte, em conluio macabro, desconhecem religião, crença, opção política, orientação filosófica ou ideológica, classe social ou posses precárias, a todos constrangendo à mudança de plano existencial em algum instante. E que não adianta ter, é fundamental ser.

Apesar da estatística insistir em coisificar o ser humano, ele não perde nem perdeu seus valores intrínsecos, estando apenas desorientado nesse momento doloroso pelo qual atravessamos.

Exige a hora revisão de valores, ressignificado do existir e nova leitura dos penduricalhos materialistas que agregamos como de valor substancial ao viver, e estamos a constatar, sob enorme desencanto, que mesmo muito possuindo, a morte vem nos igualando na tábua rasa das ocorrências diárias.

Somos mais do que números. Estamos além das estatísticas frias dos obituários divulgados a cada vinte e quatro horas.

Qual teu papel na família?

Quem foi e está fazendo muita falta e quando tu partir, a quem vais fazer falta?

Como temos lidado com a morte diuturnamente?

Com o que temos nos consolado ante um tecido social profundamente rasgado pela violência da epidemia?

Nossa fé está mais lúcida ou ainda permanece cheia de porquês, prenhe de dúvidas e interrogações sem
respostas?

Nossas rogativas ao alto estão revestidas de compreensão clara do que vem acontecendo ou estamos na postura de quem articula descabidas exigências a Deus, para que faça cessar por passe de mágica o momento trágico no qual estamos inseridos?

As inquietações não cessam. As dúvidas machucam. A falta de resposta fragiliza. A travessia atordoa. O medo tomou de assalto a sociedade em choque, aparvalhada e impotente até agora.

O lar tornou-se nosso refúgio, mas a ansiedade está consumindo milhões de pessoas, que arriscam transpor as fronteiras para buscar alimento e trabalho, garantidores da sobrevivência.

Numa hora assinalada por tanto caos, pânico, fundamental aquietar a casa mental em desgoverno e silenciar os pensamentos sem controle, refletindo que tudo tem uma razão de ser, a barca terrestre tem comando, que a evolução marcha sem cessar e que corpos não são gente.

São roupas com que nos apresentamos no mundo para a vivência dos contextos do incessante aperfeiçoamento. A morte não mata, apenas transforma.

O extinto não sumiu, apenas trocou de morada.

Enfermidades e pandemias são ocorrências que podem se dar vez por outra na estrada do progresso, carregando em si mesmas lições que precisam ser incorporadas ao viver.

Passamos a entender, mesmo que vagarosamente, que berço não é começo, túmulo não é final.

Fecundação é início de uma viagem evolutiva e morte é bilhete de desembarque na estação do destino, nos convidando a saltar da embarcação carnal em ruínas para pisarmos o chão duro da realidade ignorada, regressando do jeito que estivermos para  o vasto continente onde as ilusões se dissipam e as fantasias perdem qualquer sentido.

Momento inadiável de nosso encontro conosco mesmo. E Ele já tinha nos alertado severamente a este respeito:

-Conhecereis a verdade e a verdade vos fará livres!

Nos libertemos de nós mesmos, e quais pássaros livres, deixemos para trás os grilhões de nosso hoje sombrio, librando acima das inquietações do mundo.

Marta
Psicografia de Marcel Cadidé Mariano
Centro Espírita Caminho da Redenção
Mansão do Caminho
Instituição fundada por Divaldo Franco e Nilson a mais de 75 anos
Marcel também é trabalhador da Federação Espírita da Bahia a mais de 37 anos
Juazeiro, 11.08.2020

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A impotência humana diante da pandemia real
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