A indiferença parece ser uma marca, uma grife de nosso tempo apressado

TRANSEUNTES INDIFERENTES

Todos os dias renteias com pessoas nas calçadas e nos coletivos urbanos. Estão contigo na mesma artéria ou buscam o mesmo prédio para onde te diriges.
Nunca dispusestes de tempo para saber quem são, onde vivem e o que fazem.
Se a eles olhas, eles também te veem sem maior consideração.
Na sua grande maioria, assim estamos quase todos nos dias agitados do cotidiano.
Não dispomos de tempo para uma conversa breve, um diálogo amistoso e a conquista de uma nova amizade forçosamente tem que brotar das redes sociais.
Deles nada sabemos e igualmente somos ignorados.
A indiferença parece ser uma marca, uma grife de nosso tempo apressado, onde as conquistas alheias passam despercebidas. Não nos referimos aqui tão somente ao que cada um carrega de inquietação e medo, agressividade e má educação.
Destacamos a lucidez de muitos, a gentileza natural de outros, a conversa agradável deste e a humildade daquele, fatores de simpatia pessoal que tem feito muita falta no trato urbano e nas relações interpessoais.
Se nos queixamos bastante da ausência de pessoas de boa índole na sociedade, daquelas que insuflam o otimismo e a esperança, a cordialidade e amizade sem cobrança. Temos carência de pessoas que confiem em outras pessoas.
Andamos armados e não amados.
O olhar é de desconfiança.
A abordagem do outro é acolhida com receio e defensiva.
Numa sociedade que foi iluminada pela proposta cristã há vinte séculos, outra deveria ser a conduta dos indivíduos. Se a tivéssemos realmente entendido e incorporado ao viver, nossas relações diárias estariam permeadas de ternura e acolhimento sem interrogatório.
O outro seria o irmão ou irmã que a Divindade nos encaminha para o fortalecimento dos vínculos da família universal.
Teríamos muito mais possibilidades de vencer os desafios da vida comum em regime de solidariedade.
A solidão seria banida da convivência social.
Idosos não seriam deixados nas casas da terceira idade, permanecendo entre seus afetos até o regresso ao grande lar.
Os orfanatos seriam fechados porque cada criança desprovida de pais ou por estes rejeitada seria acolhida numa família substituta, se permitindo continuar ajustada no contexto da convivência em comum.
Casais dilatariam sua capilaridade de amigos além das duas famílias unidas pelo matrimônio, sem o quisto do ciúme e da desconfiança no cônjuge eleito.
Penitenciárias seriam fechadas e mais educandários seriam abertos, onde a interação entre meninos e meninas pudesse favorecer sólidas amizades para o porvir.
Os religiosos seriam menos dogmáticos, mais inclusivos, se permitindo o ecumenismo e o diálogo inter-religioso sem anátema contra pensamentos diferentes.
A guerra seria abolida.
O diálogo alcançaria níveis nunca imaginados.
Utopia? Delírio?
Talvez muitos afirmem que essa sociedade só cabe na mente dos visionários, da ficção científica ou do poeta de feira. A realidade é outra.
Transeuntes indiferentes.
Acomodados num ônibus, em viagem demorada, cada um mergulhado no seu mundo e prisioneiros de sua solidão.
Solitários na multidão.
Orantes num templo que entram mudos e saem calados.
Cada um cuida de sua dor.
O problema do outro é do outro. Não nos afeta.
De alguns séculos para cá estamos descobrindo, a duras penas, que não é bem assim. Guerras num continente distante afetam o mundo em questões de horas. Uma explosão nuclear pode contaminar o planeta, afetando bilhões de vidas.
O clima que persiste num polo acarreta efeitos no outro.
Estamos todos conectados na grande matriz divina.
Em torno de nós, uma humanidade sem corpo vagueia pelas ruas e entra nos edifícios. Gritam por direitos e reclamam que são ignorados. Enxameiam nos fóruns e casas de justiça, exigindo o julgamento de seus processos.
Estão em hospitais e casas de saúde, cobrando diagnósticos e exames, ignorando que já perderam o veículo físico.
E igualmente passam por nós nas calçadas onde há pouco transitavam, vestidos de carne.
Ainda matriculado no educandário da carne, não olvides essas reflexões.
Dispondo de tempo, medita na impermanência de tudo que te cerca.
Observa o quadro agora e verás como dentro de algumas horas tudo pode mudar, sem aviso prévio.
Procurado por teu semelhante, oferta algum tempo para atender a demanda dele.
Buscado para dar algum conselho, ora e expõe com sinceridade o que pensas da questão em jogo.
Orienta alguém que se perdeu nos intrincados caminhos do mundo.
Constrangido a opinar, exalta o bem e o belo. E onde tua palavra vai ser deturpada, escolhe o silêncio que espera, evitando atirar “pérolas aos suínos”.
Cultiva o laço com teus velhos amigos. Envelheceram junto contigo.
São poços de saudade e nostalgia.
Reaviva, junto deles, os frágeis vínculos da empatia e continua marchando, deixando por onde passes flores e sementes.
As primeiras perfumarão tua estrada e as segundas dirão, sem palavras, que és um semeador de alegrias nas trilhas do futuro sem fim.
Marta
Salvador, 01.05.2022
Centro Espírita Caminho da Redenção
Mansão do Caminho
Psicografia de Marcel Cadidé Mariano

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