Fanatismo e Idolatria - Em todos os tempos sempre os houve
Fanatismo e Idolatria
Fanáticos e idólatras de qualquer procedência são membros carcomidos do organismo enfermo da ignorância.
Mergulhados em densa treva mental, negam-se às bençãos da luz do discernimento, fechados nos corredores estreitos da intolerância renitente ou do pavor inexplicável.
Em todos os tempos sempre os houve.
Adorando os fenômenos da natureza por temê-los, ou erguendo totens e a eles oferecendo sacrifícios para apaziguá-los, o fanatismo e a idolatria atingiram o clímax quando, em holocausto, foi derramado sangue em seus altares macabros…
Com o avanço do pensamento e as abundantes conquistas da ciência, era de esperar se que não mais existisse clima para a floração desta fauna de doentes do espírito.
No entanto, nos diversos arraiais do conhecimento eles aparecem e proliferam.
Não somente nas aldeias religiosas, também nas avenidas largas da cidades do saber surgem e se desenvolvem, em cultos de macabra animalidade, estes dois famélicos verdugos, revivendo os fastos do passado, quase esquecido…
O culto da personalidade, a adoração do eu e a receita do prazer são modernos meios de veneração às vacuidades em assinalado desrespeito à evolução e à civilidade
* * *
Há os que idolatram a mocidade que esfuma rapidamente.
Há os fanáticos por estreiteza de vistas em matéria de fé ou nas diretrizes do conhecimento.
Idolatria em torno de objetos, animais, pessoas, idéias que se consomem.
Objetos que pertenceram ao passado e rareiam, disputados por colecionadores dominados pela cobiça em idolatria fanática.
Aqui, as rédeas que pesaram sobre os escombros aristocráticos de Incitatus, o cavalo que Calígula elevou a cônsul.
Ali, o punhal com que o escravo assassinou a Domiciano.
Acolá, a espada de Napoleão, erguida nas batalhas de Toulon ou das campanhas na Itália.
Amontoados de fragmentos desta ou daquela madeira, de moedas, de sedas, de objetos e adornos…
No entanto, o fanatismo religioso e a idolatria pagã, que ainda perduram em algumas fileiras do Cristianismo, constituem nos dias atuais, chaga purulenta, aguardando o curativo do “bom-senso” e da “razão”.
“Não esculpireis imagens para adora-las…” – disse o Senhor. Todavia, em nome da saudade, sob escusas de evocações sentimentais, em cultos funestos do medo, erguem-se altares e adoradores surgem, imprudentemente, aumentando o número de inseguros e sofredores.
Com os ensinamentos espíritas que reproduzem as lições cristãs, o homem desperta para a adoração “em espírito e verdade”.
Já não pode cultivar as transitórias alegações. Nem amontoar farrapos tarjados de celebridade.
Envolve-se nos tecidos da caridade, calça as sandálias da ação e unge-se de amor ao próximo.
Abre alamedas de luz nos bosques sombrios, ascendendo esperanças e distende a mensagem de libertação, vivendo o culto, da renovação íntima, incansavelmente.
* * *
Recebido em Cesaréia, por Cornélio que o aguardava entre familiares e amigos, Simão Pedro foi homenageado pelo anfitrião, que, emocionado, “prostou-se aos seus pés, e o adorou”. O velho pescador, a quem tanto deve a Boa Nova, recordando, talvez, o Mestre, num impulso generoso e viril, no entanto, levantou o amigo, dizendo: “Levanta-te, que eu também sou homem”.
Recordando a preciosa lição do servo devotado a Cornélio, anotado nos Atos dos Apóstolos, capítulo 10 e versículo 25 e 26, compenetremo-nos do dever de divulgar o Evangelho, em sua pureza primitiva, libertando mentes e corações do fanatismo e da idolatria, ensinando com firmeza e bondade que o paraíso não tem limites e a adoração que nós compete realizar está na tarefa de espiritualizarmos a nós mesmos, alongando à família humana o nosso labor, sem preferência, sem paixão, sem loucura…
Joanna de Ângelis
Do livro: Dimensões da Verdade
Psicografia de Divaldo P. Franco

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