MINHA VIDA POR UM PEDAL

MINHA VIDA POR UM PEDAL

por Jeff Severino

Desde pequena toda criança pede uma bicicleta de natal. Comigo não foi diferente. Aprendi com a ajuda da minha mãe. Meu pai não era tão carinhoso assim e, afinal de contas, mãe é mãe. Só exagera quando a gente cai da bike e rala o joelho.

Adulto, com o diagnóstico que não poderia mais correr (adorava correr quilômetros sem fim), detonei a coluna, me recomendaram a andar. Quem corre sabe que caminhar é um martírio, coisa impossível.

Comprei uma bike, não podia ficar parado. Precisava do vento na minha cara, da adrenalina e no final a chapante dopamina.

E comecei a pedalar 20, 30, 40 50, 60, 70, 100 kms. Que coisa espetacular, que delícia.

Nos meus pedais conheci e sempre acabo conhecendo pessoas que me ensinam algo e têm o mesmo espírito que o meu, mas conheci outros que me alegro de ter esquecido.

Já me molhei,

Já senti  frio,

Já senti calor,

Já senti medo,

Já cai pra me acostumar com a sapatilha e andar clipado, ralei o joelho, cotovelos, arrebentei meu supercílio direito, já cheguei em casa sangrando…

Já levantei.

Mas também já  sorri muito dentro do capacete, já falei mil vezes comigo mesmo, cantei e gritei de alegria como um louco, e sim, às vezes chorei, por conta de amigos atropelados e mortos por assassinos embriagados no volante.

Já vi e fotografei lugares maravilhosos e vivi experiências inesquecíveis (entre os paredões da Serra do Corvo Branco – SC)

Muitas vezes fiz curvas que até o Valentino Rossi ficaria orgulhoso, outras vezes fiz curvas no terror, com o coração saltando, descendo o “Morro da Rússia, onde não podia nem frear, afinal morro abaixo todo santo empurra e alguns derrubam.

Parei mil vezes para ver uma vista.

Eu falei com perfeitos desconhecidos, e esqueci de pessoas que vejo todos os dias.

Saí com os demônios dentro de mim e voltei para casa com a paz no coração.

Todas as vezes pensei que era perigoso, sabendo que o significado de coragem é avançar mesmo sentindo medo.

Todas as vezes que subo na bike, penso no quão maravilhoso é.

Parei de falar com quem não entende, eles simplesmente (NÃO ENTENDEM) e aprendi através de gestos como se comunicar com parceiros em outras bikes.

 Não pedalo para me exibir, não pedalo para competir, não sou atleta, sou apenas um ciclista que pedala pra viver, pra curtir. Se tiver que parar pra descansar eu paro, se tiver que empurrar morro acima eu empurro, se tiver que pedir arrego eu peço… Vou no meu limite. Pedala com “muleques” de 15 anos a jovens de 70 anos ou mais.

Gastei dinheiro que não podia, com renúncias de muitas coisas, mas todas essas coisas não valem um momento em que estou em cima da minha bike

Não é um meio de transporte nem um pedaço de carbono com rodas, e sim, a parte perdida da minha alma e do meu espírito.

E a quem me diga: “Tem que vender, tem que ser uma pessoa mais séria. Teu corpo não suporta, teu corpo é imprestável.”

Eu não respondo.

Simplesmente balanço a cabeça, desacredito e sigo em frente. Se morrer, morrerei feliz. Não serei nenhum suicída, pois pedalo por saúde, por viver e por estar de bem com a vida. Não é uma obrigação. Pedalo quando quero.

Pedalar só entende quem ama !

Que Deus abençoe meus amigos que costumam andar em duas rodas, biker e motoqueiros.

Que venham muitos pedais em 2018 !

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