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A criatura humana tem sede de respostas às inquietações que a atormenta
17/05/2026
RESPOSTA ÀS INQUIETAÇÕES
Marta
À semelhança de um beduíno sedento, recém saído de um deserto, a criatura humana tem sede de respostas às inquietações que a atormenta.
Mesmo na condição de argonauta do saber, já tendo perlustrado os imensos rios do conhecimento exterior, não se viu ainda satisfeito com as elucidações postas pelas cátedras diversas.
Manejou a filosofia e multiplicou interrogações sobre a vida e a morte, o começo e o fim da vida, as angústias e dores do caminho, permanecendo perdido nas muitas vertentes das elucubrações de natureza filosófica.
Ergueu no mundo incontáveis academias e liceus, onde submeteu a matéria bruta ao exame da geologia e da física, da química e da biologia, colhendo admiráveis conhecimentos acerca de sua mutação em diversos reinos. Ainda assim, o senhor de enciclopédias e compêndios, retortas e microscópios de tunelamento permaneceu inquieto com o próprio destino, faminto de soluções para seus dramas existenciais.
Mergulhou nos vastíssimos continentes da religião e das crenças, tentando definir o indefinível, limitar o ilimitado e conceber a mente divina numa equação matemática, sem lograr êxito, ora refém por escolha de milhares de cultos e manifestações religiosas, que o aturdem intimamente, sem oferta da paz tão sonhada.
A criatura humana tem sede de respostas às inquietações que a atormenta
Senhor do fogo e da escrita, da pólvora e da agricultura, domesticou animais e domou feras selvagens, mas se percebeu impotente para domesticar caprichos e paixões, desejos e ânsias de dominação externa, se fazendo vassalo da própria brutalidade e das imperfeições morais que o manipulam nos insondáveis caminhos da vida.
Desceu aos abismos oceânicos, em busca de vidas marinhas jamais vistas, mas tem receio de submergir nas próprias torpezas, localizando no poço fundo da individualidade imortal quais as razões por que sofre, cultivando o medo do desconhecido.
Subiu às culminâncias do espaço profundo, conheceu a lua e desceu no solo de outros planetas, permanecendo sob os grilhões de incontáveis conflitos no terreno dos sentimentos e das emoções em desgoverno.
Decorridos milhares de séculos de conquistas externas admiráveis, aplaude o berço, de onde surge para a epopeia existencial, e deposita flores e lágrimas nas tumbas, imaginando na morte o ceifar das esperanças e o findar da trajetória na escola da vida.
Acumula e perde haveres materiais num piscar de olhos. Sobe e despenca do rol da fama em velocidade surpreendente. Atravessa as quadras da existência corporal sempre na loucura de deter o tempo, tentando preservar a textura orgânica e as forças físicas, como se fosse viver eternamente enjaulado na maquinaria de cartilagens e ossos.
Um dia, percebe a fragilidade de tecidos e órgãos, a deficiência gradual dos sentidos e dá-se conta que além da janela palpita um mundo que esqueceu de viver.
O sorriso que sonegou.
O pão que não dividiu na estrada com outros famintos.
O agasalho que sonegou aos desnudos.
A criatura humana tem sede de respostas às inquietações que a atormenta
A palavra que não pronunciou em forma de consolação aos aflitos e desesperados. O silêncio que não fez nas horas de tumulto e inquietação, pacificando corações incendiários.
Repetiu palavras, alegando que orava, mas manteve o coração divorciado dos lábios e as mãos paralisadas nas obras do bem.Pranteou o mármore frio dos túmulos e não logrou reativar uma célula sequer do afeto que a máscara mortuária plasmou para a viagem ao país desconhecido.
Deixou-se abater pelo vazio existencial. E sentado na beira do rio de águas revoltas, mergulhou no grande silêncio, de onde percebeu passos suaves.
Era Ele, volvendo às praias das incertezas e das aflições superlativas, trazendo coragem e esperança aos desfalecidos do caminho.
Sorriso franco, gestos suaves, conversa fraterna, sentou-se ao nosso lado e apontou o céu muito azul.
Exaltou a beleza dos lírios do campo, abençoou a migalha ofertada pela boa vontade anônima, animou quem auxilia sem interesse e deixou em nós a nítida impressão que amanhã será outro dia.
Nenhum temor sobre a noite moral que ora se abate sobre o planeta que estertora nas agonias coletivas. Nenhum receio sobre o que haveremos de comer amanhã, já que o Senhor alimenta as aves dos céus todos os dias.
Vem, meu irmão, minha irmã! Levanta-te dessa apatia, lava os olhos nas águas da sublime alegria e retoma teus labores humildes nas fainas de cada manhã, avançando sem medo para esse futuro que Ele veio preparar sem ansiedade alguma.
Ontem, Jesus conosco.
Hoje, Jesus contigo.
Amanhã, Jesus com todos.
Marta Centro Espírita Caminho da RedençãoMansão do Caminho 18.05.2026Psicografia de Marcel Cadidé Mariano