Um novo sistema de compartilhamento de bicicletas vai colocar 20 mil bikes nas ruas de São Paulo a partir de julho. A novidade: elas não ficarão presas a estações, como nos modelos existentes hoje na cidade, e sim soltas. Isso significa que uma pessoa pode pegar qualquer bicicleta do sistema que esteja na rua e depois também pode deixá-la em qualquer lugar.

São Paulo terá 20 mil bikes com GPS para alugar e deixar onde quiser

SÃO PAULO TERÁ 20 MIL BIKES COM GPS PARA ALUGAR E DEIXAR ONDE QUISER

Segundo empresa, bicicletas ficam travadas na rua, e liberação é via app

Para evitar roubos, bicicleta da Yellow não terá marchas e contará com GPS, pneu sem câmara de ar e selim antifurto – Yellow/Divulgação

Segundo empresa, bicicletas ficam travadas na rua, e liberação é via app

Um novo sistema de compartilhamento de bicicletas vai colocar 20 mil bikes nas ruas de São Paulo a partir de julho. A novidade: elas não ficarão presas a estações, como nos modelos existentes hoje na cidade, e sim soltas. Isso significa que uma pessoa pode pegar qualquer bicicleta do sistema que esteja na rua e depois também pode deixá-la em qualquer lugar.

No modelo, chamado “dockless” (sem estação), popular na China e também existente em cidades europeias, as bicicletas ficam travadas na rua, e os usuários podem liberá-las por meio de um aplicativo para celular.  Quem traz a iniciativa para São Paulo é a Yellow, empresa fundada por ex-executivos da Caloi e da 99 Táxis. As bicicletas são feitas para aguentar o impacto do uso constante. Os quadros são de aço (mais baratos e mais resistentes), e o pneu é maciço, sem câmara de ar, o que reduz o custo com manutenção, já que ele não fura.

A ideia é que as bicicletas sejam usadas em trechos curtos, de 1 a 2 km, para complementar o transporte público, como integração entre a casa do usuário e a parada de ônibus ou a estação de metrô.  Por isso, o sistema vai começar com mais força pelo centro expandido, em saídas de estações de trem e metrô. Mas a ideia é também alcançar as periferias da cidade. Carros farão a redistribuição das bicicletas no começo, mas “o sistema se balanceará sozinho”, aposta Eduardo Musa, ex-dono da Caloi, hoje à frente da Yellow.

Os usuários pagarão pelo uso das bikes. Ainda não há um preço definido, mas Musa diz que “deve ser bem mais em conta” que a tarifa do transporte público, hoje em R$ 4, já que a ideia é usar a bicicleta como um complemento. Haverá ainda um sistema de preço dinâmico, que fica mais caro ou barato de acordo com a demanda, como acontece na Uber. O pagamento poderá ser feito por cartão bancário, Bilhete Único e até pela fatura do celular do usuário, entre outros.

CADASTRO

A companhia está em processo de cadastro com a Prefeitura de SP e a expectativa é de que consiga essa autorização ainda nesta semana. Não deve ter dificuldades, já que a gestão João Doria (PSDB) abriu espaço no fim do ano passado para cadastrar empresas que oferecem o serviço com e sem estações, num esquema também similar ao da Uber: sem licitação nem exclusividade, desde que a companhia siga regras determinadas, como compartilhar informações sobre deslocamentos com o poder público e aceitar pagamento com o Bilhete Único. A resolução publicada pela prefeitura estabelece também, entre outras coisas, que as empresas devem exigir a devolução das bicicletas em locais que não interfiram na circulação de pedestres.

Esse é um dos principais desafios do sistema, sobretudo em uma cidade carente de calçadas acessíveis. A empresa apostará na “gamificação” (uso da lógica de jogos) para premiar usuários que deixarem as bikes em locais predefinidos pela empresa —onde há espaço suficiente para não atrapalhar os pedestres, como em praças. Outros desafios são os roubos e depredações. Para isso, a Yellow acredita em três fatores. Primeiro, que a alta quantidade de bicicletas nas ruas vai coibir os crimes. “Os índices de roubos são maiores onde não há essa escala. Com poucas bicicletas na rua, perdidas, há a sensação de que elas não têm dono.”

O Bike Sampa, gerido pelo Itaú, almeja colocar 2.600 bicicletas em circulação na cidade. Só a Yellow terá 20 mil.

Em segundo lugar, a bicicleta foi desenvolvida com “características específicas para nosso país”, diz Musa. Ela é simples, tem baixo valor agregado e o mínimo de componentes, de modo que não vale a pena furtá-la. O fato de não ter marchas, por exemplo, reduz o interesse de ladrões de peças. Há também um pneu especial, que não encaixa em outros veículos. O selim tem ainda travas que dificultam sua retirada. Por fim, todas terão monitoramento por GPS. “As pessoas depredam o transporte público quando ele está travado, lotado. Se funciona bem, não é depredado”, compara o executivo.

No ano passado, a chinesa Wukong Bikes faliu após ter 90% de suas bicicletas furtadas. O cenário, no entanto, era diferente: a empresa tinha apenas 1.200 veículos rodando e todos sem GPS. A companhia chinesa Ofo, uma das maiores do setor, possui uma frota de mais de 10 milhões de bikes. O sistema entra em vigor durante uma gestão que não deve promover avanços significativos na malha cicloviária. Para Musa, as bikes podem criar uma pressão nesse sentido. “Quanto mais bicicleta você colocar na rua, mais o poder público vai querer colocar malha viária, e mais gente vai se sentir segura em andar de bicicleta.” O plano da Yellow é lançar o sistema primeiro na capital paulista, onde eles acreditam que haja espaço para colocar até 100 mil bicicletas para rodar. Se der certo, já mapearam até 30 cidades pelo país “com grande potencial”.

FONTE: FOLHA UOL

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *