A bênção do esclarecimento sobre a vida sobreleva qualquer herança

HERANÇAS

Dentre muitas heranças luminosas deixadas pela mensagem de Jesus no mundo como acervo para o Espírito imortal, a bênção do esclarecimento sobre a vida sobreleva qualquer outra.
Esclarecendo o ser sobre os objetivos existenciais e dotando-o de recursos para enfrentar o sofrimento, a mensagem cristã descortina o futuro, elucidando o pretérito, de onde procedem nossas dores e amarguras.
Custa ao ser compreender as razões de tantos infortúnios, que desabam sem aviso prévio, na caminhada de homens e mulheres, calcinando a esperança e diluindo a alegria, tornando sombrias as paisagens terrestres.
Enfermidades dilaceradoras, que surgem em tenra ou na idade mais fecunda, ceifando de morte projetos e sonhos longamente acalentados.
Desaparecimento de amigos queridos, tragados por tragédias de difícil assimilação, deixando em nós e em derredor imenso vazio de afeto.
Regresso dos genitores amados ao grande lar, nos constrangendo a uma solidão na família de difícil descrição.
E a caminhada, não obstante o bem semeado e a disposição de não causar prejuízos ou ofensas a quem quer que seja, se nos torna penosa, sempre assinalada por carências íntimas, lágrimas inconsoláveis e testemunhos de difícil digestão emocional. E surgem momentos em que duvidamos da própria existência de Deus, interrogando, sem palavras, porque tamanho abandono do Divino em relação a nós outros.
O triunfo dos ímpios gargalha zombarias aos nossos tímpanos. O sucesso dos frívolos parece zombar de nossa boa-vontade, a crítica dos fiscais das vidas alheias nos fere a sensibilidade e o abandono de afetos nas horas difíceis se nos tornam amargos e pessimistas por dentro.
Entretanto, sempre somos visitados por uma página que recorda que Deus não se equivoca, que estamos debaixo de leis justas e equânimes e que as ações do ontem fazem eco nos dias correntes, expondo a fatura que julgávamos nunca ia aparecer.
Uma frágil compreensão começa a nos iluminar as sombras íntimas, diluindo qual sol tímido numa manhã primaveril a neblina densa, nos permitindo entrever que o acaso não subsiste num universo onde a Consciência Cósmica governa, e alma alguma resgata o que não deve.
Cada um, herdeiro de si mesmo.
Se livre a semeadura, compulsória a colheita.
Conforme a ação, equivalente reação em tempo breve ou no futuro distante.
Nenhuma, mínima que seja, injustiça pairando, qual espada de dâmocles, sobre a cabeça das frágeis criaturas humanas, prestes a desprender-se do fio que a sustenta, decepando as cabeças.
Tudo interligado.
Trânsfugas de ontem em dolorosas remissões na atualidade. Calcetas empedernidos regressam com expressiva folha de testemunhos para reajuste emocional. Expiações sublimes depuram almas conflitadas consigo mesmas.
Dores imensas fazem parte do acervo de muitas existências, solicitadas pelos próprios devedores antes do mergulho na equipagem orgânica, buscando ressarcimento ante as leis do destino.
Pessoa alguma atravessando injustas experiências difíceis. Cada qual com seu quinhão de dificuldades e dores, tropeços e óbices, se valendo dos recursos postos à frente pela Bondade Divina, que sempre visa a lapidação do diamante bruto que ainda somos, visando resplandecer nossa luz de valores imortais.
Quantas travessias dolorosas ao nosso redor, e de quantas vidas anotamos a resignação dinâmica?
Carregam fardos de difícil descrição, e mesmo assim são capazes de sorrir, amparando outras vidas.
Fazem-se paradigmas de resistência.
Convertem o lamento em cânticos de libertação e gratidão a Deus pelas experiências árduas que atravessam, amparando outros prestes a tombar.
Também choram quando os espinhos se fazem insuportáveis, mas aprenderam a retirá-los das carnes da alma, avançando, mesmo a passos claudicantes.
Os tens em derredor de teu caminho. Um amigo, um livro libertador, um familiar compreensivo.
Sorve esse ar de renovação nas fontes límpidas e cristalinas da mensagem de Jesus quando se te ameacem as circunstâncias difíceis.
Utiliza mais vezes em tuas dificuldades da prece refazente.
Medita, te antecipando no tempo, nesse reino de luz que te aguarda quando da diluição da argamassa física na química inorgânica do jazigo.
Inúmeros afetos te seguem na invisibilidade corporal, te amparando os ideais e te escorando nas quedas prováveis.
E quando te pareça que o limite de suportação foi atingido; que de teus olhos não existem mais lágrimas e o abandono se fez total, ergue-te em espírito e recorda o Divino Amigo, içado num madeiro de dor entre dois ladrões.
Abandonado pelos amigos, negado por um e traído por outro.
Que fizera Ele para merecer tamanha lapidação pública?
Onde Deus que não O libertava da cruz infamante?
De Seu peito em completa exaustão, encontra derradeiras forças para suplicar ao Pai que nos perdoasse a insensatez. Não sabíamos o que estávamos fazendo.
Hoje, sabes o que atravessas.
Teu ontem: teu campo semeado.
Teu hoje: tua colheita.
Teu amanhã: reflexo do que faças hoje.
Marta
Salvador, 08.08.2022
Centro Espírita caminho da Redenção
Mansão do Caminho
Psicografia de Marcel Cadidé Mariano
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